domingo, 17 de outubro de 2010

No tempo em que se enxugava gelo... mesmo!!!!


Embora a televisão fosse geralmente bem aceita, numa época em que mal se podia dizer se o som era pior que a imagem ou o contrário, outros eletrodomésticos representantes do american way of life (modo de vida estadunidense, que começava a ser adotado no Brasil após a Segunda Guerra Mundial) eram vistos com muita desconfiança pelos potenciais consumidores. Eles preferiam literalmente enxugar gelo, como cita o comerciante Hélio Cesário Cardoso, em depoimento à publicação Memorial do Comércio, publicada em Santos pelo Sesc:

Geladeira em demonstração

Nos anos 50, ninguém comprava um rádio, uma máquina de costura e mandava entregar. Primeiro você mandava em demonstração. Ficava uma semana para experimentar, depois o vendedor voltava: "O senhor gostou?"

Eu mesmo, quando era mocinho, passei por uma situação dessas: a primeira geladeira elétrica fabricada no Brasil quem fez foi a Multibrás. Uma vez eles mandaram duas delas para Santos: uma ficou na casa de um chefe do escritório e a outra foi para a minha casa ­ geladeira bonitinha, engraçadinha, de seis pés cúbicos.

Ficou lá, funcionou bem e, na hora de levar embora, eles ofereceram: "Olha, vamos fazer um preço especial. O senhor quer ficar com ela?" Perguntei para o meu pai e ele foi contra: "Está louco! As crianças aí vão ficar chupando gelo, vai ficar todo mundo doente. Manda embora essa geladeira!"

Novas lojas - A partir dos anos 50, novos produtos eram postos à venda no mercado brasileiro, ligados às inovações tecnológicas e à expansão do american way of life no pós-guerra. Tarefas que até então exigiam trabalho mecânico e cansativo agora eram executadas por motores elétricos, aumentando a comodidade no lar: batedeiras de bolo, liquidificadores, enceradeiras, máquinas de lavar roupa faziam a alegria das donas de casa da nascente classe média.
Para vender esses produtos, ao lado do tradicional comércio de roupas, jóias, porcelanas, cristais etc., surgem grandes lojas de eletrodomésticos, amplas, iluminadas, modernas, lojas de um novo tempo.

Dentre os novos produtos à venda havia um que era uma novidade absoluta: o aparelho de televisão. Os sinais da pioneira TV Tupi de São Paulo foram, desde o seu início, em 1950, precariamente captados em Santos, assim como os sinais das emissoras paulistanas que se seguiram (TV Paulista, canal 5, e TV Record, canal 7). Essa precariedade não impediu, porém, que já em 1956 houvesse mais de 4 mil aparelhos de televisão na cidade.

Em 1957, mesmo ano em que se instalam na Serra do Mar novos retransmissores para melhorar a imagem nas telas litorâneas, surge a primeira emissora santista: a TV Santos, canal 5, iniciativa da tradicional Rádio Clube de Santos ­ PRB-4 em associação com as Organizações Victor Costa (dona da TV Paulista). Inaugurada em 15 de novembro de 1957, a TV Santos popularizou ainda mais o uso da televisão à beira-mar. Não por acaso, um dos programas de estréia da nova emissora tinha o nome de "Discopa Musical", patrocinado pela maior loja de eletrodomésticos da cidade.

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